- Eu não acredito na sua Psicologia
- Olha, cara - e ele então deu uma última tragada no cigarro e jogou a ponta para longe - a Psicologia não foi feita pra você ou quem quer que seja acreditar...muito menos a minha. Se você está atrás de uma crença, então procure uma igreja...
- Eu sou um matemático e não acredito nessas coisas.
- Não, você não é um matemático, de jeito nenhum. É apenas um fazedor de contas. O quê você trouxe de novidade para a Matemática? Saiba que até mesmo um macaco bem treinado pode fazer contas...
Depois de tantos anos vendo descalabros por toda parte, ele ainda se impressionava com pessoas de nível superior tão miseravelmente desprovidas de senso de ridículo.
- E para seu governo - continuou - sabe quem treina o macaco?
- Hum?
- Um Psicólogo. Agora, deixa eu tomar minha cerveja sossegado e olhar a bunda das moças, a não ser que você queira que eu o treine também...
(Jan Robba em:"O livro das esquisitices")
segunda-feira, 9 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Morre um terrorista
E daí? Se é verdade que ele morreu mesmo, decerto que ele já sabia que este seria o seu destino, no instante mesmo em que escolheu para si este modo de vida. Morrendo ou não, pudemos assistir ao espetáculo grotesco da palhaçada generalizada: estudantes fazendo festas, populares comemorando, a mídia despejando suas habituais incoerências e, como sempre, festejando os altos índices de audiência às custas de um sensacionalismo por natureza irresponsável...
O terrorismo é, a meu ver, uma forma alternativa de falar o que foi vetado pelos meios convencionais. Daí podermos arriscar que todos os atos terroristas, enquanto uma fala, são sintoma de algo que insistimos em não ver. Não digo que se deva validar esta forma de expressão, mas estou certo de que precisamos ouvir o que os nossos interlocutores têm a dizer. E se assim é, então se abre uma porta para que nos afastemos do "coitadismo" do discurso comum, e comecemos a olhar com mais atenção para o mundo e o que estão tentando fazer dele.
Não é de se admirar(e dos americanos se pode esperar de tudo) e beira as raias do surrealismo que, encabeçando a caça ao terrorista mais procurado do mundo, esteja a maior organização terrorista do mundo: a CIA.
A ONU, construída e mantida pelo dinheiro americano(o que explica a sua fraqueza e ineficácia em questões cruciais, como por exemplo a invasão do Iraque, o massacre dos palestinos e, agora, o ataque à Líbia e tantas outras atrocidades), simplesmente não se manifesta, por medo de desagradar aos seus patrões. Logo, temos que concluir forçosamente que esta instituição se constitui no braço legal do terrorismo americano, validando diante da opinião pública internacional as suas ações. E creio que isto ficou mais do que provado desde a invasão do Iraque.
Os americanos têm como um de seus mais elevados valores a "democracia", e tentam impor esta "democracia" ao restante do mundo. Ora, Democracia imposta não é democracia, ou então é a nossa lógica de 2.500 anos que está ultrapassada.
Se, como eu disse, a CIA é uma organização terrorista, e se os atos terroristas constituem uma fala, então o quê os atos terroristas americanos(muito mais frequentes nos últimos tempos) querem dizer? O quê Bush queria dizer com a sua "Guerra ao terror"? Com certeza ele não estava pretendendo desencadear uma guerra contra si mesmo...
O terrorismo é, a meu ver, uma forma alternativa de falar o que foi vetado pelos meios convencionais. Daí podermos arriscar que todos os atos terroristas, enquanto uma fala, são sintoma de algo que insistimos em não ver. Não digo que se deva validar esta forma de expressão, mas estou certo de que precisamos ouvir o que os nossos interlocutores têm a dizer. E se assim é, então se abre uma porta para que nos afastemos do "coitadismo" do discurso comum, e comecemos a olhar com mais atenção para o mundo e o que estão tentando fazer dele.
Não é de se admirar(e dos americanos se pode esperar de tudo) e beira as raias do surrealismo que, encabeçando a caça ao terrorista mais procurado do mundo, esteja a maior organização terrorista do mundo: a CIA.
A ONU, construída e mantida pelo dinheiro americano(o que explica a sua fraqueza e ineficácia em questões cruciais, como por exemplo a invasão do Iraque, o massacre dos palestinos e, agora, o ataque à Líbia e tantas outras atrocidades), simplesmente não se manifesta, por medo de desagradar aos seus patrões. Logo, temos que concluir forçosamente que esta instituição se constitui no braço legal do terrorismo americano, validando diante da opinião pública internacional as suas ações. E creio que isto ficou mais do que provado desde a invasão do Iraque.
Os americanos têm como um de seus mais elevados valores a "democracia", e tentam impor esta "democracia" ao restante do mundo. Ora, Democracia imposta não é democracia, ou então é a nossa lógica de 2.500 anos que está ultrapassada.
Se, como eu disse, a CIA é uma organização terrorista, e se os atos terroristas constituem uma fala, então o quê os atos terroristas americanos(muito mais frequentes nos últimos tempos) querem dizer? O quê Bush queria dizer com a sua "Guerra ao terror"? Com certeza ele não estava pretendendo desencadear uma guerra contra si mesmo...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A mitologia cristã
Há certamente um movimento bem interessante na formação dos mitos e das figuras mitológicas, principalmente no cristianismo. Uma vez, perguntei a uma paciente: "Jesus cagava?", "Nossa senhora menstruava?", "o Papa peida?". Minha paciente ficou horrorizada com aquilo, e era esta a minha intenção, a fim de "sacudir" seus conceitos. Mais adiante, verificamos que se tratava do mesmo processo que se dá com nossos amores, por exemplo. A minha amada não caga, não menstrua, não peida, não tem meleca, etc. Essa "divinização" da pessoa amada chega a um cúmulo em que o amante não consegue fazer sexo com ela. Quando, ao longo do convívio, ele percebe que as coisas não são bem assim como ele imagina, ela deixa de ser uma figura "mitológica" para ele e se torna apenas mais uma mulher. O mito cristão previne contra esta humanização do sagrado. Basta compararmos os quadros de Yemanjá e de Nossa Senhora. Yemanjá aparece sempre com um vestido realçando as formas do corpo, e ainda com um decote delicioso, ao passo que Nossa Senhora aparece vestida até o pescoço, ou seja, completamente assexualizada(ou dessexualizada?).
As diferenças são flagrantes. Entender estas diferenças passa pelo entendimento de cada uma das mitologias. A mitologia cristã, como afirmei lá em cima, nega o humano e funda um corte entre este e o divino, corte que não está em poder do homem desfazer. Daí que o Deus cristão está alhures, em alturas incalculáveis, longe do mundo humano.
A mitologia Afro já parte de um ponto de vista diferente: tudo na Terra é regido por uma divindade, estando Deus acima de todas as coisas em importância, mas não acima em sentido espacial. Não há portanto o corte entre o divino e o humano. Exatamente por isto, temos aí uma deusa Yemanjá esbanjando sensualidade sem por isso tornar-se menos divina.
A este respeito nós temos um conceito chave: enquadramento. Enquadramento significa colocar um determinado fato dentro de um contexto tal, em que este fato possa fazer sentido. O mito tem esta função, assim como a ciência, os contos de fadas, a psicologia e psicanálise. Um paciente entra em parafuso justamente quando ele não encontra sentido em um determinado acontecimento ou um fenômeno em seu íntimo. Por exemplo, as pessoas que não têm uma religião ou a crença em um Deus geralmente lidam com mais dificuldade com a morte.
Um outro exemplo de enquadramento: o travesti em nossa mitologia é um depravado, afeminado, portador de algum defeito genético, ou que teve uma criação errada dos pais, ou um pecador que irá para o inferno, etc, etc, etc
Na mitologia Afro, ele é simplesmente alguém que tem como "guia de frente" uma pombagira, e isto não o enviará de modo algum a um suposto inferno. É coisa própria dele e que ele terá de trabalhar segundo aquela tradição.
Então, este corte entre o divino e o humano, na tradição cristã, bem pode ser o motivo da eterna culpa de que sofrem os seus adeptos.
As diferenças são flagrantes. Entender estas diferenças passa pelo entendimento de cada uma das mitologias. A mitologia cristã, como afirmei lá em cima, nega o humano e funda um corte entre este e o divino, corte que não está em poder do homem desfazer. Daí que o Deus cristão está alhures, em alturas incalculáveis, longe do mundo humano.
A mitologia Afro já parte de um ponto de vista diferente: tudo na Terra é regido por uma divindade, estando Deus acima de todas as coisas em importância, mas não acima em sentido espacial. Não há portanto o corte entre o divino e o humano. Exatamente por isto, temos aí uma deusa Yemanjá esbanjando sensualidade sem por isso tornar-se menos divina.
A este respeito nós temos um conceito chave: enquadramento. Enquadramento significa colocar um determinado fato dentro de um contexto tal, em que este fato possa fazer sentido. O mito tem esta função, assim como a ciência, os contos de fadas, a psicologia e psicanálise. Um paciente entra em parafuso justamente quando ele não encontra sentido em um determinado acontecimento ou um fenômeno em seu íntimo. Por exemplo, as pessoas que não têm uma religião ou a crença em um Deus geralmente lidam com mais dificuldade com a morte.
Um outro exemplo de enquadramento: o travesti em nossa mitologia é um depravado, afeminado, portador de algum defeito genético, ou que teve uma criação errada dos pais, ou um pecador que irá para o inferno, etc, etc, etc
Na mitologia Afro, ele é simplesmente alguém que tem como "guia de frente" uma pombagira, e isto não o enviará de modo algum a um suposto inferno. É coisa própria dele e que ele terá de trabalhar segundo aquela tradição.
Então, este corte entre o divino e o humano, na tradição cristã, bem pode ser o motivo da eterna culpa de que sofrem os seus adeptos.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Sobre o amor II
Ele estava lendo o jornal, quando ela chegou de mansinho e aninhou-se ao seu lado na cama:
-Amor, você me ama?
-Amo...
-Muito?
-Muito...
-Muito mesmo?
-Mesmo...
-Jura?
-Ai...juro...
-Mas jura de verdade?
-Ai, porra, não me enche o saco! Deixa eu ler a porra do jornal!
-Tá vendo? Você não me ama...
(Jan Robba em:"O livro das esquisitices")
-Amor, você me ama?
-Amo...
-Muito?
-Muito...
-Muito mesmo?
-Mesmo...
-Jura?
-Ai...juro...
-Mas jura de verdade?
-Ai, porra, não me enche o saco! Deixa eu ler a porra do jornal!
-Tá vendo? Você não me ama...
(Jan Robba em:"O livro das esquisitices")
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