sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A morte do "ditador"

Ontem foi anunciada a morte(execução) do Coronel Muammar Kadhafi a qual, se confirmada, marca mais uma vitória da política intervencionista dos Estados Unidos e seu braço armado, a OTAN, em um assunto para o qual não foram solicitados e sobre o qual não têm o menor direito de intervirem, ou seja: a política interna de outros países. Uma primeira constatação é a de que a administração Barak Obama, na qual o mundo inteiro depositou esperanças, não representa mudança alguma em relação ao desastre que foi a administração anterior(leia-se: Bush/Skull and Bones). Jornais e Tevês de todo o ocidente anunciaram a morte do "ditador", mas é muito fácil referir-se como "ditador" ao homem que revolucionou a Líbia, transformando-a em uma potência no Oriente médio, jamais baixando a cabeça para os EUA e a sua quadrilha de cães famintos europeus, quando este mesmo Oriente médio, com exceção do Irã, abriu as pernas desavergonhadamente aos interesses americanos. É, por outro lado, contraditório e uma flagrante falta de vergonha na cara chamar de ditador ao Coronel Kadhafi, esta mesma imprensa subserviente, que apoiou até o último instante não só a ditadura no Brasil, mas em todas as partes do mundo. E então temos aqui uma segunda constatação: toda a grande imprensa ocidental, tal qual foi revelado há poucas semanas pelo Wikileaks, está completamente comprometida com os interesses do governo Americano, ao qual serve fielmente. E a ONU? Onde estava? A resposta é: em lugar nenhum, pois faz parte de sua política omitir-se quando sua presença se faz mais necessária.

*Cabe aqui um adendo: referí-me à Líbia como sendo parte do bloco conhecido como Oriente médio pois, embora localizada no norte da África, assim como o Egito, este país tem mais a ver com o Oriente médio do que com a África, o que justifica referir-me a ele como tal.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Filosofando XVIII

"Só a estupidez anseia pela eternidade. Um estúpido é capaz de passar a eternidade inteira desejando um dia vir a ser eterno".


Jan Robba

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os portões do Paraíso I

"Eu era feliz e não sabia...". Muitos de nós certamente já ouvimos esta frase um dia. Permanece, no entanto, um mistério o fato de jamais termos ouvido alguém dizer: "Eu era infeliz e não sabia...". O sujeito que é infeliz tem perfeita consciência de sua infelicidade. A mim soa um tanto contraditório que aquilo que o ser humano mais busca seja o mais desconhecido para ele, a ponto de, quando ele o tem nas mãos, não ter consciência disso. Estranho também é o fato de alguém raramente dizer que É feliz, mas sempre que ESTÁ feliz, como que reconhecendo que a sua felicidade é um estado passageiro, no mar de infelicidade que é a vida na Terra. Por outro lado, me parece que o ser humano sabe muito bem o que é ser infeliz. É até possível que sejamos especialistas em infelicidade, de uma vez que a reconhecemos quando o menor dos seus sintomas se apresenta.
Você está disposto a dar até a sua última gota de suor e toda a sua saúde em troca da felicidade. Mas, o quê você vai fazer com esta merda? Já parou para se perguntar sobre isto? E você já parou para pensar que, enquanto arruina a sua saúde e o seu espírito seguindo como um louco uma invenção de padres perversos, como uma criança correndo atrás de bolas de sabão, não vê a verdadeira felicidade escapando entre os seus dedos?
É possível que o grande problema do ser humano seja uma ingratidão crônica que o impede de ver como tudo é bom, belo e justo e o faz viver com os olhos voltados para um futuro onde com toda a certeza ele NÃO será feliz. E é lá mesmo neste futuro que ele dirá entre as lágrimas que só um idiota sabe derramar: "Eu era feliz e não sabia...".

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A cruz que carrego I

Ontem um cara alugou meus ouvidos para dizer que o Cordel e o repente são um lixo, que ele odeia as tradições nordestinas, etc...Pecou duas vezes: uma, por falar merda no meu ouvido, sem o menor conhecimento desta cultura riquíssima que é a do Nordeste; a outra foi se achar mais importante do que a minha cerveja. Dei razão a ele(que é a maneira mais eficiente de a gente se livrar de gente imbecil) e fui beber e conversar com gente que justifica o ar que respira.