sábado, 20 de julho de 2013

Os Nanautas estão entre nós - Introdução

Moscou, Julho de 2013.

“Após muito relutar e, de modo algum insensível à atitude heróica e audaciosa de homens como Manning, Assange e, ultimamente, Snowden(o qual se encontra aqui comigo neste instante), decidi ser chegado o momento de revelar ao mundo as verdades que me foram confiadas por Sua Divina Graça Sri Khagayanda Maharishi, o grande mestre da Nova Era, aquele cuja missão é trazer luz ao mundo, caso todos paguem em dia as suas contas de energia. Mesmo ciente dos enormes riscos à minha integridade física, enchí-me de ânimo e, visto até o momento não ter vislumbrado qualquer oportunidade de manter estas informações em sigilo mediante alguns favores financeiros, achei por bem realizar logo o ritual de fechamento de corpo na Macumba(o qual me garante proteção contra projéteis de vários calibres, granadas, explosivos, armas brancas e veneno de rato) e assumi esta tão perigosa quanto delicada tarefa. Através deste relato todos entrarão em contato com detalhes inéditos da vida e obra de um dos maiores gênios científicos de todos os tempos: A.C. Silver. Quase tudo o que se conhece de mais avançado nos campos da Física Quântica, Biologia, Astrofísica, Eletrônica, Ufologia, Comunicação com os mortos, Vudu, Ocultismo em geral e Magia Negra, jogo de palitinhos e principalmente a revolucionária Teoria dos Nanautas, deve-se a esta notável figura, cuja história e descobertas foram cuidadosamente ocultadas sob um espesso véu de desinformação e mistério, de forma que seu nome hoje é apenas uma lenda que jaz na obscuridade. Os motivos disto virão à tona ao longo da exposição deste material e, então, os milhares de fragmentos aparentemente desconexos irão se juntar em um todo coerente. É possível entender, a partir do que será exposto aqui, as conexões entre o Caso Roswell, a guerra fria, a doença da vaca louca, o caso Watergate, a invasão do Oriente Médio, a morte de John Lennon, o por quê de nunca mais o homem ter pisado na lua e muitos outros acontecimentos que, juntos, formam o quadro aterrador de uma trama diabólica forjada por mentes maquiavélicas, cujos interesses não incluem o esclarecimento da humanidade e sua ascensão a um nível evolutivo superior ao das amebas. A importância das descobertas e inventos de A.C.Silver está em proporção direta com a sórdida obstinação com que os governos do mundo inteiro têm procurado manter este véu inviolável, e em proporção inversa com o valor que a minha vida tem de agora em diante.
Por ocasião de uma viagem ao Nepal, em companhia do um grande amigo afegão, Muhammad Ali Arrasad(que Allah o tenha), e após ter sido devidamente testado e considerado digno, ouvi durante 365 noites, com a extremidade inferior do meu tubo digestivo colada no Gelo do Himalaia, as importantes revelações de Sua Divina Graça Sri Khagayanda Maharishi. Nenhum material escrito me foi confiado, de modo que eu deveria ouvir com toda a atenção e guardar cada palavra em minha memória. No fim, antes de minha partida de volta para o ocidente, ele desejou-me boa sorte, advertiu-me de que minha vida já não valia mais nada e voltou para dentro do seu freezer, onde costumava meditar a uma temperatura de 45 graus negativos, alheio a tudo o que é mundano. Quis a fatalidade porém que, estando com minhas finanças em baixa e sofrendo ameaças diárias de morte da parte de alguns agiotas, eu aceitei um emprego de sparring, , o qual me foi indicado por um cafetão aposentadoem, uma academia de boxe, em troca de algum dinheiro. O resultado mostrou-se até positivo, de forma que eu consegui equilibrar minhas contas, mas foram tantos os impactos nos meus lobos frontal e temporal que, no fim, eu quase não lembrava sequer meu próprio nome. Mesmo assim, uma boa parte do material que me foi confiado permaneceu vivo em minha mente, esperando por este momento, o momento em que finalmente tornar-se-á manifesto a todos os seres humanos”.


(Jan Robba em: "San Gonzáles, meu amor")

terça-feira, 16 de julho de 2013

Para além daquelas nuvens

O rei ficou deveras impressionado com aquele menino de olhar vivo e palavras tão inteligentes. Por uns instantes, chegou até mesmo a esquecer que estava desgraçadamente triste, mergulhado num tenebroso abandono que já se arrastava por quase um ano. Andou por algum tempo de um lado para o outro do aposento no qual havia se trancado, no alto da torre. Decidiu que iria vê-lo outra vez no dia seguinte. Não conseguia explicar o por quê, mas gostou dele e torcia para que ele estivesse lá de novo. E assim foi. No dia seguinte, à mesma hora, desceu as escadas, atravessou a ponte e foi ao encontro do menino. Não havia a possibilidade de ser reconhecido, pois além da barba e dos cabelos muito crescidos e descuidados, ele passara a usar roupas nada parecidas com as de um rei.
De fato, o rei encontrou o menino naquele mesmo lugar à beira do lago e conversaram uma tarde inteira e sua admiração crescia à medida em que mais conhecia o garoto. Sentia-se mais alegre, até. O rei então pensou consigo mesmo: “Nunca vi tamanha sabedoria nem mesmo nos meus conselheiros ou em qualquer sábio que tenha passado por aqui...Sei que é apenas um garoto, mas talvez ele tenha uma palavra que possa aliviar minha dor...”. Então, disfarçadamente, perguntou ao menino:
- O rei nunca mais apareceu para o povo...por quê será?
- Não sabe? Todo mundo conta que ele ficou muito triste e se trancou na torre do castelo e de lá não saiu mais, desde que a princesa morreu.
- Ah, sim...entendi. Mas, me diga uma coisa: Se você fosse o rei, o quê você faria?
- Hum...se eu fosse o rei, eu lembraria que sou um homem e que devo suportar minhas dores como um homem e não como uma criança. E então eu voltaria para o trono, que é o lugar de um rei.
O rei ficou em silêncio.
- E você? - perguntou o menino - Se você fosse o rei, o quê você faria?



(Jan Robba em: "Para além daquelas nuvens")

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Filosofando XXXVIII

A dor é uma boa conselheira, mas não é uma boa companhia. Portanto, você deve ouví-la e se apressar, e chamarão a isso de prudência. O prazer é uma ótima companhia, mas não é um bom conselheiro e, se você se apressar, chamarão a isso de ejaculação precoce ou, no máximo, uma rapidinha. E a má companhia certamente será você.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Admirável gado novo

- Bons tempos aqueles, em que era proibido beber nas eleições, lembra?- e terminou então de encher os copos.
- É verdade...A bebida tinha um outro sabor...
- Havia uma felicidade quase infantil em fazer aquilo. E não adiantava ter bebida em casa. A gente queria mesmo era beber escondido num boteco.
- Cara, às vezes fico pensando que é na transgressão que o homem se afirma como um ser livre e ao mesmo tempo denuncia a opressão que pesa sobre todos, mas que todo mundo finge que não vê...
- Essa foi profunda, mas aqui entre nós: em quem você votou?
- O voto é secreto, seu jumento – e ele então riu de como conseguia ser tão cínico, e tomou mais um gole.
- Olha, cara, se o voto fosse secreto, eles nem divulgavam o resultado das eleições, porra.
- Faz sentido...- e riu de novo – Eu anulei aquela porra. Infelizmente, não há como rasgar uma urna eletrônica...
- De fato, com a qualidade dos políticos que nós temos, as perspectivas de futuro não são animadoras de jeito nenhum.
- Eu tenho visto o discurso desses faladores aí, e mesmo o desse presidente de merda que nós temos, e eles prometem de tudo, desde a reconstituição de hímen pelo SUS, até Bolsa cachorro de rua e por aí vai, mas nenhum deles toca no principal, e é isso que me preocupa e assusta.
- E o quê é?
- Tem gente demais no mundo. O mundo está botando gente pelo ladrão e todos sabem disso. É de controle demográfico que eu estou falando. Precisamos diminuir a população da Terra em dois terços.
- Tá maluco? Com menos pessoas no mundo serão menos eleitores e esses serão eleitores melhor alimentados, melhor instruídos e naturalmente não vão votar em qualquer merda.
- Se fosse só isso, estava ótimo, mas tem um problema maior ainda.
- Lá vem você...
- Pensa comigo: agora já não há mais tempo para controle de natalidade. Isto deveria ter começado no início dos anos setenta, quando éramos só três bilhões neste planeta. Se formos fazer isso agora, eu calculo que em poucas décadas teremos uma população quase que só de velhos. E de carona vem a questão da produtividade, etc...
- Então...
- Então que, ou eles lá em cima dão um jeito de ir matando os velhos sem ninguém desconfiar de nada, ou têm que se virar para inventar um jeito de as pessoas viverem menos. Talvez até os trinta ou, na melhor das hipóteses, até os quarenta...
- Porra, isso tá com cara de “Admirável mundo novo”, cara...
- Talvez isso explique o silêncio e a omissão dos governantes...Não é com esse mundo que todos eles sonham?


(Jan Robba em "O livro das esquisitices")