domingo, 6 de fevereiro de 2011

O grande general


Desde que fora escolhido para governar o país, o general deixara de usar o Ray ban escuro, que substituíra por um modêlo mais amigável, de lentes claras. Não se pode dizer que as suas narinas já simpatizassem com o cheiro do povo, mas pelo menos o cheiro das crianças, que não o confundiam mais com o diabo, ele já tolerava. Saltou da limousine, ao som da Banda dos Fuzileiros, que executava o hino da Marinha, que ele odiava.
- Cisne Branco é o cacete - pensava consigo - coisa de viado...
Foi rodeado por um grupo de crianças, todas com bandeirinhas do Brasil na mão.
- O senhor já atirou de fuzil? - perguntou um menininho, que o puxava pela barra do paletó.
- Já, já atirei de fuzil.
- O senhor já deu tiro de canhão?
- Já, já dei muitos tiros de canhão.
- O senhor já deu tiro de tanque de guerra?
- Já atirei muito, com o meu tanque.
- O senhor já jogou muita granada?
- Já, garoto, já joguei muita granada, porra.
- E matou muitos comunistas?
- Porra, seu pai devia te dar umas porradas, seu guri de merda.



(Jan Robba em:"O livro das esquisitices")

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